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“The hymn, Juliana remembered. ‘So you gave up the High Castle and moved back into town,’ she said.”
Obra: The Man In The High Castle. Vacations ends in fatal slashing. G. P. Putnam’s Sons, 1982, New York. De Philip Kindred Dick (EUA/Chicago/Illinois, 1928).
Este romance distópico foi o mais complexo, intrigante e próximo de um realismo alternativo que pude ler.
Um mundo onde os nazistas saíram vitoriosos da Segunda Guerra repercutindo suas doutrinas que desafiam severamente a crença na bondade entre seres humanos. Em The Man In The High Castle, imagina-se um século XX que torna ao âmbito “legal” a escravidão de negros na África, o genocídio é uma política pública consolidada, junto com o antissemitismo. É um paralelo de uma ordem mundial sem a bipolaridade da União Soviética com os Estados Unidos, extintos, deflagrando uma geopolítica sem o desdobramento mais importante que ocorreu no pós-Guerra histórico o substituindo por outra Guerra Fria: entre a Alemanha e o Japão, que protagonizam o Eixo.
Junto a uma realidade alternativa tão sombria, o elemento de genialidade de Philip Dick, entendo, consiste na inversão que desenvolve no centro de sua narrativa, para confrontar a realidade como a conhecemos na própria distopia. Para realizar esta façanha, o autor inseriu uma trama em torno de um romance intitulado The Grasshopper Lies Heavy, envolvendo os personagens principais que se entrelaçam com o fascínio que se apresenta em torno do I Ching, o oráculo chinês, que dá liga a uma história que exige muito do leitor em termos de análise comparativa com a história dos fatos e o misticismo oriental.
Há portanto um centro de desenvolvimento narrativo de um romance inventado dentro do romance distópico. O romance que versa no romance The Grasshopper Lies Heav, fica notabilizado por contar uma história onde o Eixo saiu derrotado e, neste ponto, penso, um elemento de realidade concreta se choca com a realidade alternativa que a ficção discorre, sendo, por si só, extraordinária.
Quando leio um romance, preciso tentar um mergulho no que fora imaginado pelo autor, como diria Umberto Eco, fazendo de conta que a história é verdadeira, o que é algo normal no exercício da leitura e, isso posto, Philip Dick insere um elemento de realidade concreta no topo da dramaticidade para tornar a experiência de apreço de seu romance distópico, algo ainda mais provocante e inusitado.
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