Imagem: C. S. Lewis Fundation

“Chorar funciona mais ou menos enquanto dura. Porém, mais cedo ou mais tarde, é preciso parar de chorar e tomar uma decisão. […]”
Obra: As Crônicas de Nárnia. Vol VI. A Cadeira de Prata. 2. A missão de Hill. HARPER COLLINS BRASIL, 2024, São Paulo. Tradução de Paulo Mendes Campos. De Clive Staples Lewis (UK/Belfast, 1898-1963).
A solidão da menina Jill Pole, imprudente pela floresta inusitada, materializa-se no choro e na sede. Ela se vê em um pesadelo quando se perde de Eustáquio, caído no abismo, no que parecia um desfecho trágico de uma ingênua aventura.
Envolta ao Leão entre o correr e o ficar, ela apenas vislumbra o quanto do pior de sua imaginação sob a ânsia comum, à semelhança de quem está sob intempéries na vida e perde a noção do elementar que pode fazer. Suas lágrimas refletem um estado de espírito que a impulsiona ao senso do intolerável.
O riacho se revela um caminho que ela encontrou para se refazer quando se deu conta de que amadureceu o sofrimento, mas o vigor renovado com a esperança de retomar sua caminhada e saciar sua sede veio junto com o Leão ao lado da fonte. Eis o que cabe de superação ilustrando uma exigência natural do viver no caos no encontro da fé, não raramente adormecida, com um grande temor, em uma proporção inversa na forma dos fantasmas que costumam assombrar nesse instante, mas o tormento se foi sobre o que poderia lhe devorar após compreender melhor o sentido de sua tribulação.
Jill precisou dar um passo adiante em seu dilema com o Leão que se revelou diverso com a fera que habitara seu pensamento outrora regido pelo automatismo do pânico:
– Se está com sede, venha e beba.
O confortante barulho suave do riacho e o Leão dos temores de sua imaginação com o Leão que a surpreende são partes contrárias a serem combinadas do que se conhece por “enfrentamento da vida”. Não há outro riacho e o Leão não pode ser evitado pelo que compõe a natureza que a inspirou para dar um passo de fé e descobrir sua missão neste mundo de Nárnia tão extraordinário que a encontrou.
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