Imagem: Revista Bula

“Para onde é que vão os versos
que às vezes passam por mim
como pássaros libertos?
Deixo-os passar sem captura,
vejo-os seguirem pelo ar
-um outro ar, de outros jardins..
[…]”
Obra: Para onde é que vão os versos em Melhores Poemas. Global, 2002, São Paulo. De Cecília Benevides de Carvalho Meireles (Brasil/Rio de Janeiro, 1901-1964).
À espera – por Heitor Odranoel Bonaventura
Em cada vida há
um mundo sob
uma vastidão
de versos.
Muitos se perderão
no além do silêncio…
calcificados,
presos na concretude
do cotidiano.
Quantos por mim passaram
e não pude senti-los?
Quiçá de uma senhorinha
que na livraria lia
contos que me faltaram
na infância.
E que alcançaram
outras cifras
no fascinio do olhar
de cada criança.
Pensei na infinitude
dos que ecoam
no desejo de serem
captados nas lembranças
de um último por-do-sol.
Nas margens do Capibaride…
Na Ponte do Pina…
Em cantos invisíveis do Recife
que desembocam no mar
à espera de um poeta…
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