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Murray Rothbard

“Ao contrário do mito do laissez-faire, mostramos neste livro como a intervenção do governo gerou o boom insustentável da década de 1920, e como a nova orientação de Hoover agravou a Grande Depressão com medidas de enorme interferência. É preciso, finalmente, retirar a culpa da Grande Depressão dos ombros da economia de livre mercado, e colocá-la em seu devido lugar: diante dos políticos, dos burocratas e da multidão de economistas “esclarecidos”. E, em todas as outras depressões, passadas ou futuras, será sempre a mesma história que teremos.”

Obra: A Grande Depressão Americana. Conclusão: as lições da folha de serviços de Hoover. Mises Brasil, 2012, São Paulo. Tradução de Pedro Sette-Câmara. De Murray Newton Rothbard (EUA/Nova Iorque/Nova Iorque, 1926-1995).

Eis um problema não devidamente estudado durante os meus anos de universitário.

O que o meu eu dos anos 1990 até 2005 pensaria do meu eu de hoje ao considerar a crítica de Rothbard sobre as causas da Grande Depressão?

O jovem eu certamente me consideraria um coroa lunático, sem noção, ao notar que considero o intervencionismo como causa causante do agravamento que forçou o crash, o mesmo intervencionismo que provocou o boom nos anos 1920, cuja batuta do aparato estatal, após o estouro da bolha, fez parecer que a responsabilidade pelo caos residiu tão-somente na economia de mercado.

O meu eu de 1998 ficaria indignado ao ouvir do seu envelhecido eu que a culpa foi “dos políticos, dos burocratas e da multidão de economistas ‘esclarecidos'” (p. 341), e assim correria para algum manual consagrado, do tipo como o de Samuelson, depois citaria o lorde Keynes com aquela empolgação, falaria que o evento “provou” a “aceitação universal de que a culpa era do “capitalismo liberal” (p.38), e apontaria quão absurdo é defender a ideia do governo “nada fazer” além de aguardar pela autorregulação dos mercados. Quanto a isso, argumentaria em torno das externalidades, lamentaria a falta de “políticas públicas” no contexto, além da ausência de “regulações”, e logo em seguida diria o que normalmente se afirma no mainstream sobre a Escola Austríaca (EA).

Não tenho dúvida de que hoje não passo de uma grande decepção aos olhos daquele meu eu jovial tão intenso e pleno de certezas. Não que atualmente considere a EA com toda a razão, mas pura e simplesmente porque à época minhas certezas em economia (o curioso é que não era assim em outras áreas) me impediam de desfrutar de um verdadeiro debate, livre, desimpedido de colocar em dúvida tudo no meu foro íntimo, para possibilitar aquele aprendizado que só é possível pela dor, pela vergonha de reconhecer que está errado e pela vontade de interpretar o mundo sem tantas distorções.

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