Imagem: Paulus
“Você não precisa agir como eles como resposta à amizade que vocês têm.”
Obra: Resistindo à pressão dos colegas. Coleção terapia infantil. Os verdadeiros amigos respeitam seus sentimentos. Paulus, 2004, São Paulo. Tradução de Alexandre da Silva Carvalho. Ilustrações de R. W. Alley. De Jim Auer.
Os livros infantis estão entre os meus preferidos. Sempre confiro as novidades no segmento quando visito uma livraria ou o armário de minha esposa, psicóloga que também atende crianças e utiliza a literatura em técnicas de terapia.
Identifiquei-me bastante com esta obra de Jim Auer sob a temática de educar para saber distinguir e dizer não, quando necessário em determinadas situações. No caso deste livro, aborda o problema da pressão exercida por coleguinhas, quando sob conotação negativa, bullying ou incentivo para fazer algo que seja errado ou ruim, tarefa que é um tanto difícil inclusive para gente grande quando se sente incapaz de saber lidar com a expectativa de desaprovação de um determinado grupo que tenta impor algum comportamento ofensivo.
Sobre o bullying e outras influências negativas, tema de alta relevância para educadores, lembro-me do início do antigo ginásio, de como essas influências eram frequentes. Pensei em um coleguinha da terceira série que ficou marcado por uma provocação constante quando jogávamos futebol de salão e um grupo trazia um balde e descarregava na cabeça dele para demonstrar que o seu cabelo era “a prova d’água”. Infelizmente, não que o forte bullying do caso explique necessariamente, mas ele se perdeu quando atingiu a juventude pelo envolvimento com furtos e assaltos.
Outro coleguinha vivia em constante pânico com colegas que imitavam sua fala comprometida, principalmente nos encontros consonantais, devido a um problema na língua. Na famosa quinta-série do ginásio tive um colega que convivia com provocações intermináveis em torno de sua fala considerada “efeminada”, além do jeito delicado de se expressar com o corpo. Um pouco mais adiante, já na sétima série [609], fiquei mais próximo a ele e acabei também virando alvo do bullying, incluindo o que comportamento que desenvolvi ao longo dos primeiros anos de escola: a preferência de me envolver mais com as meninas, tais como maior disposição para participar de modalidades esportivas e conversas de recreio, além de atividades que atraiam mais o público adolescente feminino.
Pensei o quanto hoje, de vez em quando, escuto de adultos que viveram aqueles tempos, comentários que alimentam o mito de “ninguém ficou traumatizado”, apesar de confessarem as brincadeiras de mau gosto e até de perversidade. Uma conversa com um bom psicólogo pode deixar claro que negligenciar o bullying é um ato de abandono por parte de adultos. Quem considera o problema mais como incentivo ao vitimismo, talvez não saiba ou não queira saber de possíveis consequências na vida adulta na forma de transtornos como de ansiedade negativa, pânico, além de dificuldades para manter relacionamentos e conseguir um bom desenvolvimento pessoal.
As ilustrações de R. W. Alley são excelentes para reforçar a mensagem pedagógica enquanto o texto for lido.
Há outro livro de Jim Auer muito interessante, também publicado no Brasil pela Paulus, sobre essa abordagem pedagógica voltada ao ensinamento da recusa: Diga NÃO às drogas e ao álcool – Um guia para as crianças.
609. 12/04/2026 15h06
Comentário